O palco da nossa existência

O blog "Entre Protagonistas" nasce de um desejo vibrante de enriquecer o mundo que compartilhamos. O protagonismo, ao mesmo tempo individual e coletivo, inspira compartilhamento e cooperação, à medida que as múltiplas histórias se atravessam.

S. M. Ocriciano

10/23/2025

Ao acompanharmos uma história, é comum que nos apaixonemos pelo seu protagonista.

Na jornada de um herói, a trama narrativa se desenvolve a partir das ações (ou falta delas) do personagem principal.

Dessa maneira, acompanhamos cada acontecimento e torcemos contra ou a favor daquele agente que recebe todos os holofotes e, ao final de uma boa história, conhecemos as consequências daquele protagonismo.

Estamos acostumados a encontrar tais histórias na ficção, mas há também as jornadas pavimentadas pelos ladrilhos da realidade. O termo “protagonista” naturalmente remete à ficção, mas nem todas as histórias são inventadas.

O que estaria escrito no livro da sua história?
O meu contaria a ambição de um jovem aspirante a escritor que, depois de muitas tentativas frustradas, resolve assumir o desafio de se auto-publicar através da construção de um blog.

Os leitores acompanhariam, então, cada passo desse “herói” na luta pela construção de sua carreira, vendo surgir em seu caminho um desafio após o outro, curiosos para descobrirem como este protagonista superará cada um deles.

Neste enredo da minha história, só há lugar para um protagonista e todos os demais personagens – família, amigos, mestres, vilões – poderiam ser abarcados pelo guarda-chuva dos não-protagonistas, ou coadjuvantes, para simplificar. Ora, se sou eu o protagonista da minha história, não será você também o da sua? E assim também não seriam todos ao nosso redor protagonistas das próprias histórias?

Esta é, para o meu senso estético, a beleza das histórias reais: elas coexistem e, por coexistirem, eu, que protagonizo a minha jornada, torno-me coadjuvante nas demais.

A vida entre protagonistas exige que tenhamos bravura e humildade. A primeira, para assumirmos a responsabilidade pelo desenvolvimento da nossa história. A segunda, para que saibamos ceder espaço no palco para que outro assuma o holofote.

Dessa forma, percebemos que a vida se caracteriza por sua diversidade de perspectivas e personagens e que nenhum palco é exclusivo ou eterno. Seguimos, então, tecendo a teia da nossa própria narrativa, enquanto compartilhamos a existência que protagonizamos com todos os demais protagonistas ao nosso redor.
Viver uma história real é encontro, diálogo. É enxergar em “nós” o pronome, mas também o laço.

Que este espaço seja um palco para a existência compartilhada.

S. M. Ocriciano.